sábado, 16 de agosto de 2008

O PREÇO DE UMA VINGANÇA


Fique com isso - pediu o moribundo para seu amigo, Syaoran Li - Não precisarei mais e sei que essas coisas poderão ser úteis a você...

Li sentiu seus olhos se encherem de lágrimas. Quis dizer que ele não deveria falar assim, que tinha de ter esperanças, afinal de contas a medicina progredira muito nas últimas décadas e, de repente, algum procedimento novo poderia salvá-lo. Porém, sua voz ficou presa na garganta e ele não conseguiu pronunciar nenhuma palavra.

Com muito esforço, o doente continuou:

- Também quero que fique com o meu jipe... Você sempre gostou dele e é outra coisa que não usarei mais...
- Não diga isso - falou Syaoran - Você vai sarar! Vai sarar e ainda vai dirigir por muitos anos o seu carro!
- Não - murmurou o outro - Você sabe que não, tanto quanto eu mesmo. Ainda se tivéssemos descoberto esta leucemia a tempo... Mas não! Só percebi que estava doente quando já era muito tarde... Agora não tem mais jeito, Syaoran... Vou morrer e isso não vai demorar muito!

Syaoran não conseguiu mais se controlar e irrompeu num pranto convulso, dolorido, as lágrimas escorrendo-lhe dos olhos e os ombros sacudindo-se com os soluços.

- Vou levar para o túmulo lembranças muito boas de nossa amizade...

Syaoran se esforçou de maneira quase titânica para se controlar e murmurou:

- É verdade... Vivemos momentos muitos bons...

Esboçou um sorriso triste e perguntou:

- Lembra-se daquele baile, quando contamos para as meninas que você era o meu irmão mais velho? Todos acreditaram e, ainda por cima, disseram que éramos muitos parecidos!

A mão que Syaoran estava segurando, de repente, tornou-se mole, a já débil pressão que os dedos desapareceu por completo.

Syaoran percebeu que o amigo não estava respirando mais... Seus olhos fecharam-se para sempre.

Sentiu que alguém pousava a mão sobre o seu ombro direito e, já chorava outra vez, viu por entre as lágrimas que lhe toldavam a visão, a figura do pai de seu amigo que lhe dizia:

- Ele morreu, Syaoran... Descansou, finalmente, terminaram seus sofrimentos.

Obrigando o rapaz a se levantar, acrescentou:

- Por favor, cumpra suas últimas vontades. Apanhe a caixa que lhe deu e fique com o jipe. Sei que, onde quer que ele esteja , ficará feliz sabendo que você aceitou o presente.

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