terça-feira, 16 de setembro de 2008

O PREÇO DE UMA VINGANÇA


A festa de formatura, na sede da fazenda de Maruko Sueto, tinha sido maravilhosa e tinha assim que seus pais encontraram um meio de mostrar a toda a sociedade de Lavras o orgulho que sentiam do filho por ele ter se formado engenheiro florestal e estar com uma noiva tão bonita, inteligente e prestativo.
Havia mais de quinhentas pessoas no jardim da sede, garçons servindo generosamente bebidas e aperitivos, a alegria reinava.
Porém um dos formandos - que naquele instante estava sozinho, bebericando um uísque - não tinha a mesma expressão de felicidade que se via na fisionomia de todos os outros.

- Você parece triste, Eriol - falou uma moça, aproximando-se do rapaz - Por que está assim? Sua família não pôde vir? É por isso?

Com um sorriso maroto, a moça acrescentou:

- Ou será que é por que a namorada também não veio?

O nissei esboçou um sorriso, olhando para Akenia... Inegavelmente, ela era muito bonita. Loura, rosto perfeito com olhos claros, lábios carnudos e sensuais, o corpo maravilhosamente bem feiro, as pernas longas e bem modeladas, as curvas generosas.

- Você sabe que não há outra mulher além de você - murmurou Eriol.

- Pode ser - falou akenia, sem esconder uma ponta de tristeza em seu olhar - Mas nós dois sabemos que a nossa relação...

- ... é muito boa! - exclamou Eriol, interrompendo-a - E também sabemos que não pode ser diferente.

Akenia deixou escapar um suspiro e, encostando-se muito ao rapaz, fazendo com que ele sentisse as suas curvas, falou:

- Infelizmente, é verdade... Mas se eu não tivesse casada com aquele idiota...

Eriol deixou escapar uma risada e, beijando os lábios Akenia, disse:

- De fato, ele é um idiota... Imagine deixá-lo aqui sozinha e ir fazer um curso de um ano nos Estados Unidos! E logo depois de três meses do casamento!
Afastando-se do rapaz, Akenia pediu:

- Vamos para outro lugar, Eriol... Aqui não podemos nem nos beijar direito!

Ainda ofegante depois do amor, Akenia falou:

- Você precisa de uma mulher, Eriol... Não pode continuar assim, vivendo num apartamento sozinho, sem a presença de uma esposa!

- Com certeza você está me fazendo entender que essa mulher deveria ser você... - murmurou Eriol, beijando-lhe a nuca.

- Bem que eu gostaria - disse Akenia, fechando os olhos e estremecendo de prazer - Mas por enquanto, isso é impossível...

Acariciando o rosto do nissei, ela continua:

- Para que nós dois possamos viver juntos, é preciso que aconteçam dois milagres...

Ante a expressão curiosa de Eriol, Akenia disse:

- Primeiro, você precisa adquirir um perfil de marido... E, depois, eu passar a ter o perfil de esposa e não de amante...

- Você esqueceu o terceiro milagre - falou Eriol - Este é o mais difícil... Você precisa se convencer a ser mulher de um homem só!

Impedindo-a de protestar, Eriol beijou-a com sofreguidão e puxou-a novamente para si para uma nova sessão de amor quase selvagem.

- Vamos continuar como estamos, por enquanto - disse ele, recuperando o fôlego depois do amor - Seremos um do outro a cada vez que nos encontrarmos. Depois...

continua...

O PREÇO DE UMA VINGANÇA


Sakura, apavorada, viu que o namorado tinha deixado, sobre o criado-mudo, o revolver e a wakisashi ainda com sangue na bainha.

- Pelo amor de Deus, Syaoran! - implorou ela - Conte-me o que aconteceu! Não me deixe sofrer ainda mais!

Mais uma vez, Syaoran não respondeu. Abraçou a mulher, amou-a desesperadamente como se, de fato, aquela fosse a última vez e, quando terminaram, quando ambos chegaram ao êxtase, ele disse:

- Vou ter que fugir, Sakura... Fugir de Campo Grande para sempre! E não posso esperar que me acompanhe, mesmo porque isso seria muito perigoso para você!

Impediu-a de falar pousando-lhe o indicador sobre os lábios e prosseguiu:

- Não vou poder dizer para onde vou, pois nem mesmo eu sei. Talvez um dia voltaremos a nos encontrar. mas como isso ainda é absolutamente incerto, é melhor que não me espere, é melhor que esqueça completamente de mim.

Beijou-a e falou:

- Na verdade, será muito melhor que você se convença de que eu simplesmente morri...

Não permitindo que ela o interrompesse, contou-lhe o que tinha acontecido e, ao terminar, disse:

- Matei um homem, Sakura. Um escrivão de polícia. Não sossegarão enquanto não me encontrarem, pode apostar. E eu não quero ser preso, não acho que mereço uma pena, pois eliminei um bandido dos piores.

- Pois eu irei com você, Syaoran... Queira ou não! Meu lugar é ao seu lado, e você sabe disso! - gemeu Sakura, soluçando.

- Não. Seria perigoso, como já lhe disse... E perigoso para mim também, pois eu teria que me preocupar com a sua segurança. Eu seria encontrado e preso muito rapidamente.

Esboçou um sorriso e juntou:

- Da maneira como vou fugir, sei que ainda terei alguma chance de escapar. E você, além do mais, tem que terminar a faculdade... Você mesma sabe quanto teve se sacrificar para entrar na Faculdade de Direito e quanto deseja tornar-se uma advogada competente e respeitada.

Levantou- voltou a se vestir e disse:

- Não diga a ninguém que esteve comigo hoje. Será melhor que a relacionem com a minha fuga, será muito mais seguro se você não disser que me viu esta noite.

Sakura balançou a cabeça num assentimento e, voltando a abraçar o namorado, entre lágrimas e soluços, balbuciou:

- Estarei esperando por você, meu amor... Cuide-se! Não deixe que nada de ruim lhe aconteça! Sei que vamos nos reencontrar e então sim, seremos um do outro novamente!

O toque insistente do telefone celular arrancou o engenheiro florestal Eriol Hiiragizawade um mundo de sonhos para a realidade crua de sua vida.
Atendeu e, se ainda estava meio sonolento, despertou de imediato ao ouvir a voz que dizia:

- Demorei muito para encontrá-lo... Na verdade, foram dez anos!

Eriol tentou raciocinar depressa e, depois de uma breve pausa, falou:

- Impossível... Estou até na Internet... Tenho um site...

- Preciso encontrá-lo - interrompeu a pessoa- E tem que ser agora! Diga-me onde está que irei até aí.

Foi sem nem mesmo pensar que o engenheiro deu-lhe o endereço do flat que estava ocupando, na Praia do Canto, na capital do Espírito Santo.

- Estou no Rio de Janeiro - disse a voz - No Galeão... Dentro de máximo duas horas chegarei aí. Espere-me.

A ligação foi cortada e Eriol ficou olhando para o celular em sua mão, ainda tentando se convencer de que realmente recebera aquela ligação e que não tinha sido um sonho.
Olhou para o relógio, constatou que passava pouco de nove horas da manhã e lembrou-se que tinha combinado ir a Anchieta passar o domingo e pescar com seu sócio. Teria que desmarcar...
Voltando a apanhar o celular, ligou para o sócio pediu mil desculpas por ser obrigado a faltar com o compromisso e disse:

- Essa pessoa é muito importante, Maruko. Terei que recebê-la e muito bem! Isso pode significar que eu nem mesmo possa ir ao escritório amanhã...

- Mas amanhã temos a reunião com o pessoal da Aracruz Celulose! - protestou Maruko - E sua presença é imprescindível!

- Você poderá suprir a minha falta - retrucou Eriol - Como eu disse, essa pessoa é muito importante e, possivelmente, o futuro de nossa sociedade dependerá disse encontro.

Recusou-se terminantemente a dar mais explicações e desligou, sabendo que deixara Maruko carregado de preocupações.
Levando consigo o celular - não podia adivinhar se ela ligaria novamente - Eriol foi para o banheiro se aprontar.
Enquanto fazia a barba, o engenheiro murmurou:

- Dez anos! Como o tempo passa!

continua...

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O PREÇO DE UMA VINGANÇA


Distraído com o seu copo de uísque, Emerson só percebeu que Syaoran Li estava ao seu lado quando este falou ao seu ouvido:

- Chegou a sua hora, desgraçado! Olhe bem para mim, quero que leve para o inferno a lembrança de quem vai mandá-lo para lá!

O escrivão levou um susto e a sua primeira reação foi tentar pegar um pistola que sempre levava consigo.

- Mas... o que está fazendo aqui? - disse ele, com a voz esganiçada pelo medo.

Li, com a mão esquerda, impediu-lhe o movimento de tentar sacar a arma e falou:

- Você matou minha família e, pior ainda, estuprou a minha irmã! Chegou a sua hora de morrer, miserável! E eu quero que saiba por quê está morrendo!

Emreson tentou gritar, mas foi em vão. Li, num movimento muito rápido e preciso, desembainhou a wakisashi e fez com que a afiadíssima lâmina cortasse a garganta de Emerson, quase de orelha a orelha e o som que este conseguiu emitir não foi mais de um gorgolejo asqueroso provocado pelo ar saindo-lhe pela laringe aberta e misturando-se com o sangue que vazava aos borbotões.
Li deu um salto para trás, evitando sujar-se com o sangue de Emersone, sem nem mesmo se preocupar se alguém tinha visto o que acontecera, deixou a boate. Na realidade, ele não precisava mesmo ter essa preocupação, pois quem estava ali, naquele momento, estava se importanto apenas com as bebidas que tomavam e com as mulherres que por ali circulavam em movimentos que procuravam ser sedutores, tentando despertar o desejo nos homens para fazê-los gastar bebendo mais e, quem sabe, comprando alguns momentos de amor... Amor mercenário que seria esquecido tão logo o dinheiro correspondente a esses falsos instantes e prazer fosse devidamente recebido.
Syaoran voltou para o carro, deu partida ao motor e, quando já estava saindo da área de estacionamento do Danúbio Azul, lembrou-se da caixa que recebera de presente do amigo que acabara de falecer.
Seguiu por alguns quarteirões e, entrando numa rua lateral, mais deserta, estacionou debaixo de um poste de iluminação e abriu a caixa, pensando em deixá-la com sua namorada, Sakura Kinomoto.

- Será menos uma coisa para carregar em minha fuga - murmurou ele, examinando seu conteúdo.

Viu que ali estava várias apostilas que seu amigo usara para o vestibular, alguns livros, uma antiga régua de cálculos que já não era mais utilizada em nada havia muitos anos, uma calculadora sofisticada e ... todos os seus documentos, inclusive as fichas e certificados escolares.
Deixando que as lágrimas voltasse a brotar de seus olhos, Syaoran Li apanhou a carteira de identidade do amigo, pensando:

- Mas o que vou fazer com tudo isso? Não poderei mais pensar numa faculdade, pois estarei em fuga...

E, então pareceu-lhe ouvir a voz do amigo dizendo:

- Saiba aproveitar a oportunidade que lhe está sendo dada!

Um sorriso ainda, que triste, iluminou o rosto de Li e, voltando a fechar a caixa, ele murmurou:

- De qualquer maneira, não posso deixar de falar com Sakura! E isso tem de ser ainda hoje!

Voltou a ligar o jipe e, dirigindo com cuidado, pois não tinha nenhum interesse em ser parado por um policial por causa de excesso de velocidade ou uma outra imprudência qualquer, rumou para a casa da namorada, uma simpática casinha geminada nas proximidades da rua Humaitá.

- Ainda bem que Sakura mora sozinha - pensou ele - Se ela estiver com os pais, os irmãos ou mesmo uma amiga, não poderia ir vê-la a esta hora!

Ainda estremunhada de sono, Sakura abriu a porta e, muito rapidamente, Li entrou.

- O que houve? - perguntou a moça, já pressentindo que alguma coisa muito grave tinha acontecido - Por que está aqui a esta hora?

E, forçando um sorriso, ela acrescentou:

- Será possível que tenha... sentido vontade... a esta hora da madrugada e não conseguiu segurar o desejo até o dia raiar?

Li não respondeu, limitando-se a abraçar a moça com volúpia, tenso, ansioso, procurando seus lábios para um beijo e apertando-se muito contra seu corpo para sentir-lhe as curvas, os seios... a alma.

- Aconteceu uma tragédia - disse ele, por fim - Na verdade, duas tragédias...

Levando a Sakura de volta para o quarto, falou:

- Não nos veremos mais, meu amor... Pelo menos por um bom tempo! Por isso, esta será nossa última vez...

Sakura estacou, à beira da cama. Com expressão de terror, a moça perguntou:

- Mas... Por que está falando isso? O que aconteceu, afinal? Como pode falar que não nos veremos mais?

Li forçou-a se deitar, despiu-a e, como sempre acontecia, fitou seu corpo perfeito, absolutamente embevecido.
Não pôde conter as lágrimas ao pensar que, de fato, aquela seria a última vez...
Literalmente, arrancou as próprias roupas e deitou-se ao lado de Sakura que, ainda mais apavorada, viu que o namorado tinha deixado, sobre o criado-mudo, o revólver e a wakisashi ainda com sangue em sua bainha.

- Pelo amor de Deus, Syaoran! - implorou ela - Conte-me o que aconteceu! Não me deixe sofrer ainda mais!

fim da primeira parte.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O PREÇO DE UMA VINGANÇA


Por alguns minutos, Syaoran ficou ali parado, olhando para o cadáver da irmã, sem saber o que fazer.
Depois, ainda muito lentamente, bastante entorpecido pelo choque, seu cérebro começou a funcionar.
Emerson tinha feito aquilo! O escrivão da polícia! Um homem que sempre se mostrara tão amigo de sua família!
Apanhou um cobertor, cobriu o corpo da irmã e murmurou:

- Não posso acusá-lo... A única pessoas que poderia fazê-lo está morta...

Deixou o quarto de Tomoyo, apanhou o revólver que deixara ao lado do cadáver do pai, foi até a sala e olhou demoradamente para os corpos de sua mãe e de seu irmão.

- Vou vingá-los - disse - Nem que seja a última coisa que farei na vida, mas juro que hei de vingá-los!

Passou para o escritório de seu pai e, atrás de uma bonita gravura de Hiroshigue representado por um daimyo cercado de gueixas, abriu o cofre secreto onde o velho Matsuoka guardava o dinheiro da folha de pagamento da fazenda.
Era um bom dinheiro... Seria muito fácil contratar um matador profissional, mas Syaoran nem mesmo pensou nessa possibilidade. A vingança teria de ser levada a cabo por ele, por suas próprias mãos.
Pegou todo o dinheiro que estava no cofre, voltou a fechá-lo cuidadosamente, recolocando a gravura no lugar. Depois, sentou-se à escrivaninha de seu pai, apanhou uma maleta que estava ao lado da cadeira e pôs dentro dela o dinheiro, o revólver e uma caixa de munição que tirou de uma das gavetas. Ergueu os olhos para a estante que estava à sua frente e demorou o olhar sobre o daishô - o conjunto de espadas, a katana e a wakisashi - que fora de seu bisavô por parte de pai.
Por fim, ergueu-se, apanhou o daishô, a maleta e deixou o escritório, murmurando:

- Esta tudo acabado... Agora, só me resta o Katakiushi... A vingança! E não descansarei enquanto não vingar minha família!

Foi para o seu quarto, preparou uma mala com suas coisas, levou-a para o jipe e pegando um latão de gasolina no galpão onde ficavam guardados os carros da família derramou-o sobre o chão da casa e, especialmente sobre os cadáveres que, chorando muito, juntara num cômodo só. Fez um rastilho com o que restava do combustível e, já com o motor do carro ligado, aproximou um fósforo aceso da gasolina.
A chama correu como uma serpente, alcançou o interior da residência e, numa explosão abafada, incendiou tudo.
Syaoran Li ficou alguns instantes vendo o fogo, lembrando-se de seus parentes enquanto ainda vivos e pensou:

- Pelo menos os curiosos não terão muita coisa para ver...

Assumindo a direção do jipe, olhou mais uma vez o relógio. Passava um pouco das duas horas da madrugada. Àquela hora, a maior parte das pessoas estaria dormindo e, assim haveria pouca probabilidade de alguém ver, ainda que de longe, o incêndio.

- Terei pelo menos duas horas para realizar o que preciso - murmurou, arrancando com o carro - Para um homem como o Emerson, a noite mal terá começado e sei muito bem onde poderei encontrar esse bandido!

A noite não era diferente de qualquer outra, ali no Danúbio Azul, um dos mais conhecidos inferninhos de Campo Grande: as mulheres circulavam de mesa em mesa, fingindo beber e fazendo os clientes beberem, os garçons afobavam-se para servir a todos e, no pequeno palco ao fundo do salão , uma loura de idade indefinida - tanto poderia ter vinte e cinco anos como cinqüenta - cantava boleros de muitas décadas atrás, enquanto duas moças seminuas exibiam-se, os seios à mostra, numa dança que em hipótese alguma acompanhava o ritmo do que estava sendo executado por um conjunto de cinco músicos, um no violão, outro no piano, mais um numa harpa paraguaia e dois na percussão. Como de hábito, nenhum dos clientes estava prestando atenção à música e a atmosfera carregada de fumaça, densa como uma verdadeira neblina, ajudada pela iluminação mortiça amarelo-avermelhada do salão, mal permitia que se enxergasse a mais de cinco metros de distância.
Apesar da má visibilidade que imperava no interior da boate, Syaoran Li não teve qualquer dificuldade em identificar, entre a boa centena de pessoas que ali se encontravam, a figura de Emerson, sentado a uma das mesas no fundo do salão, tendo uma morena sobre seus joelhos.
Seria muito fácil para Li aproximar-se do homem e matá-lo com um tiro do revólver que trazia escondido sob a camisa, sem lhe dar tempo para qualquer reação.
Porém não era isso que ele pretendia fazer. Ele queria que Emerson sentisse a morte em toda a sua intensidade, queria que ele soubesse por quê estava sendo executado.
Assim, a única possibilidade que estava ao seu alcance era fazer com que o escrivão policial saísse da boate e o encontrasse do lado de fora, já à sua espera. Por outro lado, Syaoran não poderia mandar chamá-lo, pois isso obrigatoriamente faria com que houvesse pelo menos uma testemunha que facilmente poderia reconhecê-lo, o que não era interessante para ao seus planos. Ao mesmo tempo, ele não poderia ficar ali, esperando que o homem saísse da boate por sua livre iniciativa... Isso poderia acontecer dentro de cinco minutos ou algumas horas e, se ele demorasse muito, haveria o risco da alguém ver o incêndio e, então...
Fixou o olhar em Emerson, não sem um bocado de dificuldade, procurando ver se alguém, além daquela mulher que o estava beijando como uma noiva apaixonada, estava com o escrivão. Não viu ninguém. Tudo indicava que ele estava sozinho.

- Se essa mulher se afastar dele... - pensou Li, puxando um pouco mais para cima a gola do blusão que estava usando - Talvez eu possa falar com Emerson sem maiores perigos.

Bem se diz que muitas vezes Oni ajeitava as coisas de maneira aos homens poderem cometer atos que, vistos por um certo prisma, seriam malignos...
Exatamente naquele momento, uma outra mulher tocou o ombro da morena que estava com Emerson, cochichou-lhe alguma coisa ao ouvido e esta, beijando mais uma vez o escrivão, levantou-se e acompanhou a amiga em direção ao toalhete.
Era a oportunidade que Syaoran estava esperando, e ele não a desperdiçou.
Segurou com força o cabo da wakisashi que trazia metida no cinto da calça e, em passos rápidos aproximou-se de Emerson que, naquele instante, estava enchendo mais uma vez o copo de uísque.
Sem qualquer cerimonia, sentou-se à direita de escrivão.

Continua no próximo capítulo...