terça-feira, 16 de setembro de 2008

O PREÇO DE UMA VINGANÇA


Sakura, apavorada, viu que o namorado tinha deixado, sobre o criado-mudo, o revolver e a wakisashi ainda com sangue na bainha.

- Pelo amor de Deus, Syaoran! - implorou ela - Conte-me o que aconteceu! Não me deixe sofrer ainda mais!

Mais uma vez, Syaoran não respondeu. Abraçou a mulher, amou-a desesperadamente como se, de fato, aquela fosse a última vez e, quando terminaram, quando ambos chegaram ao êxtase, ele disse:

- Vou ter que fugir, Sakura... Fugir de Campo Grande para sempre! E não posso esperar que me acompanhe, mesmo porque isso seria muito perigoso para você!

Impediu-a de falar pousando-lhe o indicador sobre os lábios e prosseguiu:

- Não vou poder dizer para onde vou, pois nem mesmo eu sei. Talvez um dia voltaremos a nos encontrar. mas como isso ainda é absolutamente incerto, é melhor que não me espere, é melhor que esqueça completamente de mim.

Beijou-a e falou:

- Na verdade, será muito melhor que você se convença de que eu simplesmente morri...

Não permitindo que ela o interrompesse, contou-lhe o que tinha acontecido e, ao terminar, disse:

- Matei um homem, Sakura. Um escrivão de polícia. Não sossegarão enquanto não me encontrarem, pode apostar. E eu não quero ser preso, não acho que mereço uma pena, pois eliminei um bandido dos piores.

- Pois eu irei com você, Syaoran... Queira ou não! Meu lugar é ao seu lado, e você sabe disso! - gemeu Sakura, soluçando.

- Não. Seria perigoso, como já lhe disse... E perigoso para mim também, pois eu teria que me preocupar com a sua segurança. Eu seria encontrado e preso muito rapidamente.

Esboçou um sorriso e juntou:

- Da maneira como vou fugir, sei que ainda terei alguma chance de escapar. E você, além do mais, tem que terminar a faculdade... Você mesma sabe quanto teve se sacrificar para entrar na Faculdade de Direito e quanto deseja tornar-se uma advogada competente e respeitada.

Levantou- voltou a se vestir e disse:

- Não diga a ninguém que esteve comigo hoje. Será melhor que a relacionem com a minha fuga, será muito mais seguro se você não disser que me viu esta noite.

Sakura balançou a cabeça num assentimento e, voltando a abraçar o namorado, entre lágrimas e soluços, balbuciou:

- Estarei esperando por você, meu amor... Cuide-se! Não deixe que nada de ruim lhe aconteça! Sei que vamos nos reencontrar e então sim, seremos um do outro novamente!

O toque insistente do telefone celular arrancou o engenheiro florestal Eriol Hiiragizawade um mundo de sonhos para a realidade crua de sua vida.
Atendeu e, se ainda estava meio sonolento, despertou de imediato ao ouvir a voz que dizia:

- Demorei muito para encontrá-lo... Na verdade, foram dez anos!

Eriol tentou raciocinar depressa e, depois de uma breve pausa, falou:

- Impossível... Estou até na Internet... Tenho um site...

- Preciso encontrá-lo - interrompeu a pessoa- E tem que ser agora! Diga-me onde está que irei até aí.

Foi sem nem mesmo pensar que o engenheiro deu-lhe o endereço do flat que estava ocupando, na Praia do Canto, na capital do Espírito Santo.

- Estou no Rio de Janeiro - disse a voz - No Galeão... Dentro de máximo duas horas chegarei aí. Espere-me.

A ligação foi cortada e Eriol ficou olhando para o celular em sua mão, ainda tentando se convencer de que realmente recebera aquela ligação e que não tinha sido um sonho.
Olhou para o relógio, constatou que passava pouco de nove horas da manhã e lembrou-se que tinha combinado ir a Anchieta passar o domingo e pescar com seu sócio. Teria que desmarcar...
Voltando a apanhar o celular, ligou para o sócio pediu mil desculpas por ser obrigado a faltar com o compromisso e disse:

- Essa pessoa é muito importante, Maruko. Terei que recebê-la e muito bem! Isso pode significar que eu nem mesmo possa ir ao escritório amanhã...

- Mas amanhã temos a reunião com o pessoal da Aracruz Celulose! - protestou Maruko - E sua presença é imprescindível!

- Você poderá suprir a minha falta - retrucou Eriol - Como eu disse, essa pessoa é muito importante e, possivelmente, o futuro de nossa sociedade dependerá disse encontro.

Recusou-se terminantemente a dar mais explicações e desligou, sabendo que deixara Maruko carregado de preocupações.
Levando consigo o celular - não podia adivinhar se ela ligaria novamente - Eriol foi para o banheiro se aprontar.
Enquanto fazia a barba, o engenheiro murmurou:

- Dez anos! Como o tempo passa!

continua...

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