terça-feira, 14 de outubro de 2008

O PREÇO DE UMA VINGANÇA


Não está feliz por eu tê-lo encontrado: - indagou Sakura, por sua vez - Meu retorno atrapalha sua vida?

Na realidade, o fato de Sakura tê-lo encontrado poderia representar não apenas um obstáculo, mas sim o fim de tudo.

- Não, minha amada - respondeu ele - Ainda que não saiba o que farei de hoje em diante...!

Abraçou-a mais uma vez e acrescentou:

- Mas sei o que vou fazer hoje... E acredite que sonhei com isso durante todos esse anos!

Sorrindo, Sakura encostou-se muito a ele e , começando a lhe desabotoar a camisa, disse:

- Também senti muito a sua falta, Syaoran... E, depois que passou o primeiro ano, achei que nunca mais iria vê-lo.

Beijou-o novamente e, com um movimento sensual do corpo, fez escorregar para o chão o vestido, e falou:

- Comecei a juntar as peças do que-cabeça quando vi o nome de Eriol na relação de formandos da Universidade de Lavras.

Deixando-se levar para a cama, pediu:

- Mas vamos guardar as explicações para depois... Agora, pelo amor de Deus, deixe-me matar as saudades! Deixe-me amá-lo como antes, caso contrário acho que sou capaz de morrer de desejo!

Passava de três horas da tarde quando o serviço de quarto trouxe para o flat a moqueca que eles tinham pedido.

- Quando vi o nome de Eriol Hiiragizawa, num primeiro momento, não o associei ao nosso amigo que morrera de leucemia. Porém, instantes depois, percebi que não poderia ser o caso de um homônimo. Era muito estranho, seria coincidência demais... Eriol era um ano mais velho e, quando morreu, estava no terceiro ano de engenharia civil, na Politécnica de São Paulo. Como poderia estar formando - e com quase três anos de atraso - em engenharia florestal, na Universidade de Lavras?

Serviu o prato de Syaoran e continuou:

- Tive vontade de ir imediatamente para Lavras e fazer algumas perguntas para o pessoal da faculdade. Porém, achei que não deveria me precipitar, pois poderia levantar suspeitas a seu respeito e isso , com certeza, seria prejudicial.

Com um sorriso, tomou um gole de vinho e explicou:

- Afinal, uma juíza fazendo perguntas sobre um engenheiro...

- juíza? - espantou-se Syaoran - Você é uma juíza?

- Sim - respondeu Sakura - Formei-me em Direito, prestei concurso para a magistratura e eis-me aqui... juíza Federal.

- Vai me denuncia, então? - perguntou Syaoran, em tom de brincadeira, mas sem conseguir esconder uma expressão preocupada no rosto.

- Eu vim prendê-lo, Syaoran - respondeu Sakura - Vim prendê-lo ao meu lado pelo resto da vida!

Curvando-se sobre a mesa, o roupão abrindo-se e deixando que Syaoran visse os seus seios, ela falou:

- Não há nada contra Eriol Hiiragizawa, a não ser o fato de ele estar morto há dez anos...

- O que não me exime do crime de falsidade ideológica, no mínimo - ponderou Syaoran.

- Isso é verdade - admitiu a moça - Mas também é verdade que um criminoso só está sujeito à pena depois de denunciado, processado e condenado. E você foi apenas denunciado... não houve processo, pois a cúpula do Fórum lá de Campo Grande achou que seria melhor negócio deixar morrer o caso.

Com a expressão consternada, Sakura disse:

- O juiz, o promotor e o delegado, através de testas-de-ferro e de manobras jurídicas, mas desonestas, acabaram ficando com a fazenda que foi do seu pai. E é claro que, para eles, o melhor era pôr uma pedra em cima do caso o mais depressa possível. Assim, a morte daquele salafrário chamado Emerson, e que tinha sido atribuída a você, ficou como mais um dos muitos casos de impunidade neste nosso país. Como ele não tinha família, o único interessado pelo promotor, sabia que não deveria se manifestar demais, tendo em vista que reavivar a ferida só poderia prejudicar seus planos.

Syaoran meneou afirmativamente a cabeça e Sakura continuou:

- Muitas e muitas vezes cheguei a ter vontade de falar o que eu sabia - ou que pelo menos desconfiava, com muita probabilidade de estar certa - sobre a sua falsa identidade. Seria uma maneira de tê-lo de volta, de assumir a sua defesa e, com quase certeza, de absorvê-lo. Porém, isso não aconteceria, em Campo Grande, O juiz talvez nem mesmo conseguisse condená-lo, mas certamente você morreria nas mãos do delegado para impedir que tivesse de devolver a fazenda. Assim, fiquei quieta e apenas limitei minha ação a mantê-lo sob minha vigilância.

Abriu um sorriso, serviu mais moqueca para Syaoran e falou:

- Acompanhei seus passos, ainda que à distancia. Resisti à tentação de fazer um contato direto antes da hora. Isso poderia ser perigoso, tanto para você como para mim.

- O que quer dizer com antes da hora? - perguntou Syaoran, intrigado - Você quer dizer que a hora chegou?

Sakura deixou que ele terminasse de encher o seu cálice de vinho e respondeu:

- Sim. A hora chegou, querido. Eu já não estava agüentando mais a sua ausência e... olhando intensamente para Syaoran, disse:

- Quando soube que você tinha montado uma empresa aqui em Vitória, comecei a mexer os meus pauzinhos e, depois de muita luta, consegui ser transferida para o Tribunal Federal do Espírito Santos...

continua no último capítulo...

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