
Terminada a refeição, Sakura aboletou-se sobre os joelhos de Syaoran e pediu:
- Como conseguiu assumir tão perfeitamente a identidade do pobre Eriol? Como fez para levar uma vida de cidadão normal com o nome dele?
Syaoran respirou fundo e, depois de refletir alguns instantes, contou:
- Naquela noite fátidica, antes de ir à sua casa, abri a caixa que Eriol tinha feito questão de me dar, juntamente com o carro. Ali estavam todos os documentos dele, inclusive os escolares. Isso me possibilitaria recomeçar a vida, longe de Campo Grande, fazendo-me passar por ele. Lembra-se de como éramos parecidos?
Sakura anuiu com um sinal de cabeça e Syaoran continuou:
- Não encontrei nenhuma dificuldade quando decidi vender o carro e comprar outro. Muito menos, quando me matriculei para o vestibular, em Lavras. Daí em diante, foi só uma questão de me habituar com a nova identidade. Só que eu sabia que não poderia ficar muito tempo num único local,pois sempre havia a possibilidade de aparecer alguém que me conhecesse... da minha vida anterior... e tinha você... esboçou um sorriso e falou:
- Como você mesma disse, não era o momento para reencontrá-la. Poderia ser perigoso para você.
Os dois ficaram em silêncio por alguns minutos e, ascendendo um cigarro, Syaoran disse:
- Agora, não quero mais me separar de você, meu amor. E se for preciso que eu me entregue à Justiça...
- Nada disso! - exclamou Sakura - Você não vai se entregar, de jeito nenhum!
Sakura beijou Syaoran com ardor e respondeu:
- Ninguém vai reclamar de nada meu amor... Eriol só tinha os pais e estes voltaram para a Inglaterra depois de vender todas as propriedades. Ninguém mais teve notícias deles. Até acho que já morreram, pois quando partira, ambos não estavam bem de saúde. Quando à morte de Emerson, ninguém terá interesse nenhum em reabrir o caso, pode acreditar. Acho que a única coisa que terá de fazer é não voltar para Campo Grande tão cedo...
Com um sorriso, Syaoran murmurou:
- Isso eu tenho feito. Já perdi negócios bem lucrativos porque me neguei a ir para lá. E pode acreditar que foi muito complicado encontrar desculpas para dar ao meu sócio...
Ergueu os olhos para Sakura e perguntou:
- Quer dizer que você acha que eu devo continuar como Eriol Hiiragizawa? Devo definitivamente esquecer quem sou?
- E não era exatamente isso que você pretendia naquela noite? - inquiriu Sakura - É o que fez durante estes dez últimos anos, inclusive esquecendo de mim...
- Isso não! - negou Syaoran - Jamais a esqueci! Só que, diferentemente de você, eu já não tinha mais esperanças de reencontrá-la!
Os dois se beijaram apaixonadamente e Sakura falou:
- Há tantos segredos neste mundo... segredos que implicam na felicidade de algumas, se não de muitas pessoas! No nosso caso, o segredo só poderá trazer felicidade, querido!
Sorriu, encostou a cabeça no ombro da Syaoran e murmurou:
- Para mim será mais difícil...
Espantado, Syaoran perguntou:
- Difícil?: mas o que será mais difícil?
- Cada vez que eu tiver de chamá-lo por Eriol, estarei lembrando do nosso amigo.
Levantando-se e deixando cair o roupão que estava usando, disse:
- Ele era bonzinho... mas era muito feio!
Puxando o rapaz para o quarto, finalizou:
- Mas pode estar certo que saberei separar as coisas, querido. Cada vez que estivermos juntos... para isto... você continuará a ser o meu Syaoran! E quando for para outras coisas, ou quando eu estiver brava com você, será Eriol!
~Fim~
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