sexta-feira, 19 de dezembro de 2008


Dez minutos mais tarde, no elegante "Jaguar" de Syaoran, Sakura perguntou:

- O que vai fazer agora? Eu estou, além de faminta, completamente exausta!

Syaoran concordou com um sinal de cabeça e falou:

- Você tem toda a razão. Precisamos ir para Ubatuba, mas antes, é fundamental que você repouse um pouco! Virando o carro para a saída sul de Brasília, ele disse:

- Vamos para um motel. Será um lugar seguro o bastante para que você possa descansar à vontade!

Sakura suspirou, encostou a cabeça no ombro de Syaoran e murmurou:

- Onde está o meu pai?

Syaoran não respondeu . Na verdade, tinha muito medo que os homens de Medellin já estivessem com o deputado e, se isso fosse verdade, estariam desejando agarrar sakura para pressioná-lo...

- Posso apostar que, se seu pai estiver livre, ele vai entrar em contato com Eriol!

Sakura entrou no amplo e confortável apartamento do Sunshine Motel, na estrada para Goiânia.

- Às vezes tenho certeza que sou completamente doida...- falou ela, olhando em torno de si, admirada - quando poderia imaginar que iria a um motel com um homem que mal acabei de conhecer?

Com um sorriso malicioso, Syaoran retrucou:

- Bem... Sempre é melhor do que entrar com mais de um homem, não é verdade?

- Indecente! - exclamou ela, rindo - Você não passa de um ser indecente!

Syaoran caminhou até a grande banheira de hidromassagem, ligou-a e disse:

- Você não deve esquecer que o homem é um animal predador. Estamos sempre caçando...

Experimentou a temperatura da água e aceitando um uísque que Sakura lhe oferecia, completou:

- O diabo é saber distinguir quando somos caça e quando somos caçadores... Neste momento, por exemplo...

- não venha me dizer que eu o estou caçando, delegado! Isso seria o cúmulo!

- Você é quem está dizendo, Sakura! - replicou Syaoran - Eu já me considero caça em suas mãos!

Voltando para o quarto, Sakura descalçou os sapatos e desinibida, virou de costas para Syaoran a ajudasse com os botões de seu vestido.

- Não vejo a hora de entrar naquela banheira- disse a moça.

Sakura olhou para Syaoran e sorrindo, acabou de se despir, brincando os olhos do delegado com a sua maravilhosa plástica.

- Não sei se é para acreditar nessa história de segurança - falou ela - Nesse momento, eu estou tão segura quanto uma ovelha aos cuidados de um lobo!

Minutos depois, em rede nacional, a figura de Eriol apareceu na televisão anunciando que Sakura Kinomoto estava sob a custodia da Polícia Federal e pedindo ao Deputado Fujitaka Kinomoto que entrasse em contadto com ele, Eriol, nos telefones que aparecia na tela, dizendo como senha o prato predileto de sua filha.
Da banheira, Sakura escutou o anúncio e perguntou:

- Como vocês podem saber o meu prato predileto?

- Não interessa, minha querida! - respondeu Syaoran 0 Precisamos que seu pai fale um pouco mais para que haja volume e voz suficiente para os nossos técnicos em áudio conferirem com o seu padrão harmônico de voz. Ia acender um cigarro, quando ouviu Sakura chamá-lo, com um tom morno e rouco na voz:

- Syaoran... Está me ouvindo?

Ele conhecia aquela maneira de articular as palavras: era a caçadora chamando. E a caça era ele!

- Syaoran - tornou a chamar Sakura - Por que não se despe e vem fazer companhia para mim?

Conseguiram adormecer perto de três da madrugada e só despertaram com o sol entrando pela janela aberta sobre o pequeno jardim interno do chalé.

- Você me pôs em sua sala de troféus, Sakura - falou Syaoran, num sopro.

- Não será uma sala de troféus, syaoran - disse a moça, dando-lhe um beijo - Mas sim, um lar...

Syaoran sorriu, retribuindo o beijo. Ele também queria isso. E desde os primeiros momentos daquela noite, ele soube que não poderia haver outra mulher.
Levantou-se, apanhou o celular e ligou para Eriol.

- Não tenho boas notícias, Syaoran - disse este - Não recebi nenhum telefonema que tivesse a voz compatível com o padrão harmônico de Kinomoto. Alguma coisa aconteceu a ele. E acho bom tratar de descobrir, pois a imprensa, depois desses anúncios, está ouriçada! já recebi, só esta manhã, mais de cem telefonemas de repóteres querendo saber porquê aquele anúncio foi veiculado!

- Estou iniciando agora, chefe - disse ele - Tivemos alguns pequenos problemas no início da noite...

eriol riu do outro lado da linha e falou, sarcástico:

- espero que você não tenha tido nenhum problema durante a noite Syaoran! não sei se sabe, mas há um velho ditado: o pote tantas vezes vai à fonte que um dia acaba quebrando!

Syaoran desligou. Detestava quando Eriol começava com aquele assunto, pois afinal das contas, ninguém tinha nada a ver com sua vida particular!

continua no próximo capítulo...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Aruanã


Mas será que foi um seqüestro? - indagou Sakura, angustiada - Será que papai não achou melhor sumir por alguns dias?

Com um sorriso, Syaoran respondeu:

- Não acredito nisso. Conheço seu pai, Sakura. Ele não é homem de fugir. Ao contrário, é daqueles que lutam até o último sopro por alguma coisa em que acredite.

Não mais conseguindo se controlar, a moça recomeçou a soluçar. Syaoran abraçou-a, afastou seus cabelos e disse:

- Não se desespere. Nós vamos procurá-lo. Mas antes , vamos encontrar um lugar seguro para você ficar, pois ...
A moça não o deixou continuar, e quase gritou:

- Nada disso! Eu estarei procurando meu pai junto com vocês!

Um tanto atrapalhado, syaoran tentou argumentar:

- Mas... Há o risco... Não sabemos com quem estamos lidando!

- Eu estarei segura ao seu lado, Syaoran - falou a moça com convicção - E tenho certeza de poder ajudar!

Syaoran viu que Eriol sorria malicioso, e calou. Aliás, teria sido indelicado de sua parte falar onde e como Sakura poderia efetivamente ajudá-lo.

- Está bem... - disse Syaoran, forçando um sorriso - Então, vamos trabalhar!

Voltando-se para eriol, falou:

- Acho que em Ubatuba encontrarei algo mais concreto a respeito de toda esta história. Preciso descobrir qual é o motivo de tudo isso!

Com um gesto de desânimo, ajuntando os papéis do relatório, acrescentou num desabafo:

- Se ao menos pudéssemos saber a origem do dinheiro desse maldito Nunes!

Com voz um tanto insegura, Sakura falou:

- Conheci em Paris um rapaz colombiano que morreu por causa de um overdose. Era riquíssimo e numa ocasião, completamente drogado, disse-me que já tinha estado num laboratório de pasta de cocaína... Disse-me que o homem mais rico do mundo era o responsável pela distribuição da pasta entre os refinadores da droga. esse homem era um tal de Josias Nunes e o rapaz o conhecia porque seu pai era um de seus fornecedores.

Os dois homens da Polícia Federal se entre olharam por um instante e, excitado, apanhando o telefone, Eriol pediu uma ligação para Botogá.

- Mas é claro que eu sei quem é Josias Nunes, Eriol! - exclamou o adido militar na embaixada do Brasil em Botogá - Ele controla todo o tráfico de pasta de cocaína! Está doente, em tratamento na Europa e quem está cuidando Nunes.

Eriol nem sequer agradeceu a boa vontade do diplomata. Estava furioso por essa informação não figurar no banco de dados da central, em Brasília.
Voltando-se para Syaoran, falou:

- Estávamos certos, meu amigo! O que temos nas mãos é uma verdadeira bomba!

Objetivo, Syaoran argumentou:

- O problema é não podemos fazer nada contra esse Fernando Nunes! Ele é apenas o filho de Josias Nunes e não há nenhuma queixa ou acusação contra ele!

Eriol concordou com um sinal de cabeça e falou:

- Isso mesmo. Por isso não podemos agir em nível oficial, por enquanto. Temos de deitar as unhas sobre esse bandido o quanto antes, mas agindo de uma forma que ele não tenha a menor possibilidade de arrumar um advogado capaz de tirá-lo das grades!

Sorriu, bateu nas costas de Syaoran e acrescentou:

- Alias, esta é a sua especialidade, Syaoran! Portanto, boa sorte! Sei muito bem que vai precisar dela!

mostrando Sakura com um discreto gesto de cabeça, acrescentou:

- E lembre-se... Kyotsukete kudasi!

continua...