quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Aruanã


Syaoran voltou-se lentamente. Fernando Nunes estava atrás do deputado Fujitaka e apontava uma escopeta calibre doze para a cabeça do pai de Sakura.

- Você vai me levar naquele helicóptero, canalha - falou o bandido - E isso, se não quiser que eu mate Fujitaka agora mesmo.

- Pois pode atirar, imbecil! - falou Syaoran - Se você o matar, terá eliminado a única garantia de vida tem!

Nunes vacilou por um instante e Syaoran percebeu ao ver o cano da escopeta se desviar cerca de cinco centímetros. Era a oportunidade que ele estava esperando. Com cuidado para não ferir o deputado, Syaoran disparou com precisão diabólica, alcançando o centro da testa de Nunsa, fazendo-o cair, já morto, no chão.

Fujitaka respirou fundo e sentando-se num degrau da escada, falou:

- Desta vez, achei que tinha chegado a minha hora!

Syaoran ajudou-o a se levantar e disse-lhe:

= Vamos para casa, senhor... Sakura está anciosa para vê-lo e para contar sobre o seu casamento!

Fujitaka ergueu o copo num brinde aos noivos, dizendo:

- Ao homem que salvou a minha vida! E que salvou minha filha vai ser uma eterna maluca!

Um pouco mais tarde, quando os convidados para o casamento de Syaoran e Sakura já tinham ido embora, Fujitaka e Eriol sentaram-se num sofá para conversar.

- Infelizmente, não conseguimos apanhar Escobar - falou Eriol. Fujitaka, sorrifente, vendo sua filha e seu genro que subia para o quarto, falou:

- De qualquer maneira, desarticulamos esta conexão. E liquidamos este foco de lavagem de dinheiro!

Do alto da escada, Sakura chamou o pai e quando este olhou para ela, Sakura disse:

- Hoje eu a estou usando, papai! - falou a moça - Mas aposto que será por pouco tempo...

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Aruanã


Assim que desembarcaram do jatinho executivo da FAB no aeroporto de Ubatuba, Syaoran disse:

- Vou deixá-la num hotel.

- Mas não! - estrilou ela - Você disse que eu poderia acompanhá-lo até o fim!

Syaoran olhou para Sakura de uma maneira que não permitia qualquer contestação e Sakura compreendeu. A verdade era uma só: ele era o homem e ela, a sua mulher!
Beijando-a com todo o carinho Syaoran disse:

- Não sei o que eu vou encontrar pela frente, querida. E não quero que você corra riscos. A operação até Aruanã e, depois, mergulharei para abordar o lá. Enquanto estiver fazendo isso, não posso me preocupar com você.

Seriam quase duas horas da madrugada quando o pequeno e já antigo Bell-OH13 pousou com estardalhaço a poucas braças do costado do Aruanã.
Imediatamente, as luzes se acenderam no convés do barco e um holofote foi ligado, jogando a sua luz azulada sobre o pequeno aparelho.
Com uma caixa de ferramentas na mão, o piloto fez sinal para o iate, dizendo que estava tudo bem e, de pé sobre os flutuadores, similou fazer um reparo.
Enquanto isso, Syaoran deixava-se cair ao mar do outro lado do helicóptero e, a três metros da superfície, nadou para o Aruanã e agarrou-se à corrente da âncora. Livrou-se do aqualung e subiu por ela, alcançando a amurada.
Toda a tripulação encontrava-se entretida, observando o piloto do helicóptero que, atrapalhado, tentava desesperadamente amarrar alguma coisa com um pedaço de arame.

- Ainda bem que o homem é um bicho curioso - murmurrou Syaoran, passando as pernas para o convés do iate - Agora, é tratar de encontrar Fernando Nunes e certamente, também o pai de Sakura.

Syaoran notou que havia dois vigias, ambos armados com metralhadoras e percebeu que não teria como entrar no corredor de acesso aos camarotes sem ser visto por um deles que, naquele instante, tinha deixado o convés de bombordo e começava a caminhar em direção ao de estibordo.
Syaoran teria de neutralizá-lo... De sua perna direita, o delegado apanhou uma faca de mergulho e escondendo-se atrás de um respiradouro de convés, esperou que o homem se aproximasse.
A menos de dois metros de distância, o vigia estacou, olhando para o chão. Vira as marcas de pés molhados. Já ia abrindo a boca para dar o alarma quando o braço de Syaoran se moveu com a rapidez de um bote de serpente e a faca, com a lâmina voltada para trás, cortou a garganta do bandido como se ela fosse de manteiga, fazendo o sangue jorrar, esvaindo-se juntamente com a vida que abandonava aquele corpo.
Rapidamente, Syaoran segurou o homem, impedindo-o de cair ao chão e encostou-o num canto mais escuro. Apanhou a metralhadora e os três carregadores que o vigia trazia, murmurando:

- Agora estou realmente pronto!

Mal dera os dez primeiros passos pelo corredor, e quatro homens surgiram, fortemente armados.

- Um intruso! - gritou um deles em castelhano - Peguem-no!

Mas Syaoran não queria que isso acontecesse. Destravou a arma e calcou o gatilho. A rajada de balas praticamente cortou ao meio os quatros bandidos.
Estava iniciada a festa!
ouviu passos por todo o barco. Mais homens surgiram, mais uma vez ele disparou com precisão mortífera. Ouviu alguém gritar que o barco estava sendo atacado por todos os lados e escutou, com alívio, os altos-falantes de uma vedeta da Marinha, dizendo para que todos os que estivessem a bordo se entregassem sem resistência.
De um nicho perto da ponte de comando, Syaoran observou os homens de Nunes jogando as armas no chão e erguendo os braços enquanto os fuzileiros navais invadiam o barco.
Foi no momento em que Syaoran estava começando a descer para o convés inferior que ele escutou uma voz dizer, às suas costas:

- Pare onde está, maldito! Pare, ou farei a cabeça deste deputado virar uma pasta!

Continua no último capítulo...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Aruanã

Com expressão preocupada, Sakura indagou:

- Acha que há alguma possibilidade de ele estar vivo?

Syaoran suspirou. Olhando para o chão disse:

-Não sei... Talvez esses bandidos não tenham feito mal ao seu pai. Se a intenção deles é obter a autorização para o jogo em seus hotéis de Ubatuba, seu pai é importante demais para que eles o matem. Seria mais lógico que eles a sequestrassem para pressionar Fujitaka. Porém, não houve muito esforço nesse sentido. Pode ser que eles estejam fazendo com que seu pai ache que você foi sequestrada e estejam tentando forçá-lo a fazer o que eles querem.
Syaoran podia perceber que Sakura estava se controlando para não entrar em desespero e abraçou-a, dizendo:

-Temos de ter paciência e confiança. Nunes faz parte do Cartel de Medellin e sua intenção certamente é lavar o dinheiro do tráfico. Estamos lidando com gente muito perigosa e teremos de ir para Ubatuba, pois é lá que se encontra as respostas que precisamos.

Acariciou os cabelos de Sakura, beijou-a com paixão e falou:

- Estaremos indo para lá dentro de pouco mais de uma hora, querida... E desta vez, partiremos de uma base aérea, num avião militar.

Sakura assentiu com a cabeça e abraçando o delegado, murmurou:

- Espero que não tenham feito nada a papai... Seria uma pena eu não poder lhe dizer que, finalmente, encontrei o homem de minha vida.

Você está sendo estúpido por não colaborar, Fujitaka - falou Nunes com raiva - Poderia estar evitando todos esses aborrecimentos e estaria recebendo cinco milhões!

Fujitaka sorriu e respondeu:

- Não preciso de seu dinheiro, Nunes!

Nunes riu alto e soprou uma baforada de seu charuto no rosto do deputado.

- Pois eu tenho uma surpresa para você, deputado... - falou ele.

Assim dizendo, mostrou-lhe uma peça de roupa íntima feminina, e perguntou
:

- Reconhece?

Fujitaka empalideceu. Era evidente que ele reconhecia aquela peça. Ele mesmo comprara para Sakura, pouco antes de ela partir para a França! Ele se lembrava do dia em que adquirira aquela peça e...

Lembrou-se, de repente, do que Sakura dissera quando ele a entregara para a filha:

- Não vou levá-la para a França, papai. Lá não terei oportunidade de usá-la! Esta calcinha eu vou deixar para pôr no dia em que conhecer o homem da minha vida!

A lembrança desse frase quase fez Fugitaka sorrir. Sakura não levara aquela calcinha para a França! Isso significava que aqueles bandidos apenas tinham entrado em sua casa e tirado do guarda-roupa da filha aquela peça e para assustá-lo! E Sakura não teria ido para a casa, pois recebera, com certeza, o seu recado ainda no aeroporto!
No entanto, Fujitaka sabia que não poderia demonstrar que percebera o golpe, pois se o fizesse estaria piorando a situação para si e para a Sakura.

- Maldito! - exclamou o deputado, fazendo uso de toda a sua capacidade teatral - O que fizeram com minha filha?

Nunes fixou o olhar do deputado, e disse:

- Sakura está bem... Por enquanto! Porém, para que continue assim, você terá de nos prestar um pequeno favor.

Respirando fundo, Fujitaka Kinomoto indagou:

- O que querem? Querem que eu vote pela autorização do jogo em seus hotéis?

- Não é apenas isso - respondeu Nunes - precisamos que você convença todos os outros deputados a votarem a favor. Queremos a unanimidade!

- Não posso fazer isso de um momento para o outro - disse Fujitaka.

Nunes assentiu com um sinal de cabeça e falou:

- Concordo. Você terá dois dias! Enquanto isso, Sakura permanecerá conosco!

Para reforçar a idéia de que tinha sido enganado, o deputado pediu:

- Quero ver a minha filha! Quero ter certeza que ela está bem!

- Isso é impossível, por enquanto - falou Nunes, já se afastando.

Continua no próximo capítulo...