sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O PREÇO DE UMA VINGANÇA


Distraído com o seu copo de uísque, Emerson só percebeu que Syaoran Li estava ao seu lado quando este falou ao seu ouvido:

- Chegou a sua hora, desgraçado! Olhe bem para mim, quero que leve para o inferno a lembrança de quem vai mandá-lo para lá!

O escrivão levou um susto e a sua primeira reação foi tentar pegar um pistola que sempre levava consigo.

- Mas... o que está fazendo aqui? - disse ele, com a voz esganiçada pelo medo.

Li, com a mão esquerda, impediu-lhe o movimento de tentar sacar a arma e falou:

- Você matou minha família e, pior ainda, estuprou a minha irmã! Chegou a sua hora de morrer, miserável! E eu quero que saiba por quê está morrendo!

Emreson tentou gritar, mas foi em vão. Li, num movimento muito rápido e preciso, desembainhou a wakisashi e fez com que a afiadíssima lâmina cortasse a garganta de Emerson, quase de orelha a orelha e o som que este conseguiu emitir não foi mais de um gorgolejo asqueroso provocado pelo ar saindo-lhe pela laringe aberta e misturando-se com o sangue que vazava aos borbotões.
Li deu um salto para trás, evitando sujar-se com o sangue de Emersone, sem nem mesmo se preocupar se alguém tinha visto o que acontecera, deixou a boate. Na realidade, ele não precisava mesmo ter essa preocupação, pois quem estava ali, naquele momento, estava se importanto apenas com as bebidas que tomavam e com as mulherres que por ali circulavam em movimentos que procuravam ser sedutores, tentando despertar o desejo nos homens para fazê-los gastar bebendo mais e, quem sabe, comprando alguns momentos de amor... Amor mercenário que seria esquecido tão logo o dinheiro correspondente a esses falsos instantes e prazer fosse devidamente recebido.
Syaoran voltou para o carro, deu partida ao motor e, quando já estava saindo da área de estacionamento do Danúbio Azul, lembrou-se da caixa que recebera de presente do amigo que acabara de falecer.
Seguiu por alguns quarteirões e, entrando numa rua lateral, mais deserta, estacionou debaixo de um poste de iluminação e abriu a caixa, pensando em deixá-la com sua namorada, Sakura Kinomoto.

- Será menos uma coisa para carregar em minha fuga - murmurou ele, examinando seu conteúdo.

Viu que ali estava várias apostilas que seu amigo usara para o vestibular, alguns livros, uma antiga régua de cálculos que já não era mais utilizada em nada havia muitos anos, uma calculadora sofisticada e ... todos os seus documentos, inclusive as fichas e certificados escolares.
Deixando que as lágrimas voltasse a brotar de seus olhos, Syaoran Li apanhou a carteira de identidade do amigo, pensando:

- Mas o que vou fazer com tudo isso? Não poderei mais pensar numa faculdade, pois estarei em fuga...

E, então pareceu-lhe ouvir a voz do amigo dizendo:

- Saiba aproveitar a oportunidade que lhe está sendo dada!

Um sorriso ainda, que triste, iluminou o rosto de Li e, voltando a fechar a caixa, ele murmurou:

- De qualquer maneira, não posso deixar de falar com Sakura! E isso tem de ser ainda hoje!

Voltou a ligar o jipe e, dirigindo com cuidado, pois não tinha nenhum interesse em ser parado por um policial por causa de excesso de velocidade ou uma outra imprudência qualquer, rumou para a casa da namorada, uma simpática casinha geminada nas proximidades da rua Humaitá.

- Ainda bem que Sakura mora sozinha - pensou ele - Se ela estiver com os pais, os irmãos ou mesmo uma amiga, não poderia ir vê-la a esta hora!

Ainda estremunhada de sono, Sakura abriu a porta e, muito rapidamente, Li entrou.

- O que houve? - perguntou a moça, já pressentindo que alguma coisa muito grave tinha acontecido - Por que está aqui a esta hora?

E, forçando um sorriso, ela acrescentou:

- Será possível que tenha... sentido vontade... a esta hora da madrugada e não conseguiu segurar o desejo até o dia raiar?

Li não respondeu, limitando-se a abraçar a moça com volúpia, tenso, ansioso, procurando seus lábios para um beijo e apertando-se muito contra seu corpo para sentir-lhe as curvas, os seios... a alma.

- Aconteceu uma tragédia - disse ele, por fim - Na verdade, duas tragédias...

Levando a Sakura de volta para o quarto, falou:

- Não nos veremos mais, meu amor... Pelo menos por um bom tempo! Por isso, esta será nossa última vez...

Sakura estacou, à beira da cama. Com expressão de terror, a moça perguntou:

- Mas... Por que está falando isso? O que aconteceu, afinal? Como pode falar que não nos veremos mais?

Li forçou-a se deitar, despiu-a e, como sempre acontecia, fitou seu corpo perfeito, absolutamente embevecido.
Não pôde conter as lágrimas ao pensar que, de fato, aquela seria a última vez...
Literalmente, arrancou as próprias roupas e deitou-se ao lado de Sakura que, ainda mais apavorada, viu que o namorado tinha deixado, sobre o criado-mudo, o revólver e a wakisashi ainda com sangue em sua bainha.

- Pelo amor de Deus, Syaoran! - implorou ela - Conte-me o que aconteceu! Não me deixe sofrer ainda mais!

fim da primeira parte.

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