terça-feira, 11 de novembro de 2008

Aruanã


Veja bem, Fujitaka - falou o também deputado Manoel Rosa - Eu não sou favorável. Mas recebi um chamado de Ubatuba, esta manhã, O tal Nunes disse-me que nenhum de nós se arrependeria se votássemos a favor da autorização.

- Você está querendo dizer que vai receber dinheiro para isso? - perguntou Kinomoto, com voz rascante.

Manoel ficou ruborizado e respondeu:

- Não é assim... Não sou corrupto, e você sabe disso. Mas preciso do apoio dos eleitores! E não acho que eles sejam contra o jogo em dois hotéis bem específicos, em Ubatuba! De mais a mais, creio que um pouco de dinheiro por ocasião das novas eleições seria muito bom!

Kinomoto não retrucou. Limitou-se a levantar-se, mostrando claramente que não tinha mais nada a dizer ou ouvir. Ele não votaria a favor da autorização e faria campanha para que seus colegas também não votassem!

Não gosto disso - falou Escobar - As coisas pioraram! Não podemos fazer nada, pois não sabemos como vai ficar essa autorização para o jogo!

Nunes franziu as sobrancelhas. Ele sabia que não tinha culpa por as coisas não correrem exatamente como o esperado.

- Sim muito, Escobar - falou ele - Mas a compra desses hotéis não saiu de minha cabeça e sim da cabeça de vocês! Eu teria encontrado uma maneira mais simples de lavar esse dinheiro!

Escobar empalideceu. Não estava acostumado a ser contestado por subordinados.
Por um breve momento, teve ímpetos de esbofetear aquele desaforado, mas sabia que tinha desse controlar e que não podia deixar que seus impulsos pusessem a perder todo o plano que tinha elaborado para lavar o dinheiro que estava prestes a entrar. E aos borbotões. Tudo teria de estar pronto já no início do verão! Porém, as coisas não estavam saindo como ele queria. A divulgação de uma suspeita, qualquer que fosse, antes de se começar a fazer funcionar os cassinos, seria prejudicial para todo o Cartel uma vez que dificultaria a maldita autorização de funcionamento. Ele esperava, a partir do início de Dezembro, faturamentos de cerca de quinhentos milhões de reias por semana somente dos turistas ali no Litoral Norte. Todo esse dinheiro tinha de ser colocado no mercado de uma maneira que parecesse ser oficial.
E nada melhor do que o jogo para se fazer esse tipo de negócio. Um cassino poderia render todo esse dinheiro sem que pudesse fazer muitas perguntas a respeito de sua origem.
Com um sorriso, esforçando-se ao extremo para parecer divertido, Escobar falou:

- Sim, Fernando... Sabemos disso. Infelizmente, acho que nós nos precipitamos um pouco. Mas não adianta chorar sobre o leite derramado... Precisamos de você, Nunes... Por isso nós estamos investindo em sua pessoa. Mas em troca, você precisa nos ajudar.
Interessado, Nunes perguntou:

- E o que sugere, Escobar?

O colombiano refletiu por alguns instantes e, falou:

- Acho que está na hora de fazermos com que o maior responsável pelas dificuldades que estamos passando quanto a essa autorização de funcionamento se convença de que não é interessante para ele e sua família, continuar a ser uma pedra em nosso sapato!
Olhou torvamente para Nunes e, apanhou uma folha de papel de sua primeira gaveta, falou:

- Eis alguns dados importantes a respeito da vida de Fujitaka. Estude cuidadosamente essas informações. A partir de Agora, apresse-se. Lembre-se que contamos com você! Há muito dinheiro rolando nesse nosso negócio e não podemos perder!

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