quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Aruanã

Com expressão preocupada, Sakura indagou:

- Acha que há alguma possibilidade de ele estar vivo?

Syaoran suspirou. Olhando para o chão disse:

-Não sei... Talvez esses bandidos não tenham feito mal ao seu pai. Se a intenção deles é obter a autorização para o jogo em seus hotéis de Ubatuba, seu pai é importante demais para que eles o matem. Seria mais lógico que eles a sequestrassem para pressionar Fujitaka. Porém, não houve muito esforço nesse sentido. Pode ser que eles estejam fazendo com que seu pai ache que você foi sequestrada e estejam tentando forçá-lo a fazer o que eles querem.
Syaoran podia perceber que Sakura estava se controlando para não entrar em desespero e abraçou-a, dizendo:

-Temos de ter paciência e confiança. Nunes faz parte do Cartel de Medellin e sua intenção certamente é lavar o dinheiro do tráfico. Estamos lidando com gente muito perigosa e teremos de ir para Ubatuba, pois é lá que se encontra as respostas que precisamos.

Acariciou os cabelos de Sakura, beijou-a com paixão e falou:

- Estaremos indo para lá dentro de pouco mais de uma hora, querida... E desta vez, partiremos de uma base aérea, num avião militar.

Sakura assentiu com a cabeça e abraçando o delegado, murmurou:

- Espero que não tenham feito nada a papai... Seria uma pena eu não poder lhe dizer que, finalmente, encontrei o homem de minha vida.

Você está sendo estúpido por não colaborar, Fujitaka - falou Nunes com raiva - Poderia estar evitando todos esses aborrecimentos e estaria recebendo cinco milhões!

Fujitaka sorriu e respondeu:

- Não preciso de seu dinheiro, Nunes!

Nunes riu alto e soprou uma baforada de seu charuto no rosto do deputado.

- Pois eu tenho uma surpresa para você, deputado... - falou ele.

Assim dizendo, mostrou-lhe uma peça de roupa íntima feminina, e perguntou
:

- Reconhece?

Fujitaka empalideceu. Era evidente que ele reconhecia aquela peça. Ele mesmo comprara para Sakura, pouco antes de ela partir para a França! Ele se lembrava do dia em que adquirira aquela peça e...

Lembrou-se, de repente, do que Sakura dissera quando ele a entregara para a filha:

- Não vou levá-la para a França, papai. Lá não terei oportunidade de usá-la! Esta calcinha eu vou deixar para pôr no dia em que conhecer o homem da minha vida!

A lembrança desse frase quase fez Fugitaka sorrir. Sakura não levara aquela calcinha para a França! Isso significava que aqueles bandidos apenas tinham entrado em sua casa e tirado do guarda-roupa da filha aquela peça e para assustá-lo! E Sakura não teria ido para a casa, pois recebera, com certeza, o seu recado ainda no aeroporto!
No entanto, Fujitaka sabia que não poderia demonstrar que percebera o golpe, pois se o fizesse estaria piorando a situação para si e para a Sakura.

- Maldito! - exclamou o deputado, fazendo uso de toda a sua capacidade teatral - O que fizeram com minha filha?

Nunes fixou o olhar do deputado, e disse:

- Sakura está bem... Por enquanto! Porém, para que continue assim, você terá de nos prestar um pequeno favor.

Respirando fundo, Fujitaka Kinomoto indagou:

- O que querem? Querem que eu vote pela autorização do jogo em seus hotéis?

- Não é apenas isso - respondeu Nunes - precisamos que você convença todos os outros deputados a votarem a favor. Queremos a unanimidade!

- Não posso fazer isso de um momento para o outro - disse Fujitaka.

Nunes assentiu com um sinal de cabeça e falou:

- Concordo. Você terá dois dias! Enquanto isso, Sakura permanecerá conosco!

Para reforçar a idéia de que tinha sido enganado, o deputado pediu:

- Quero ver a minha filha! Quero ter certeza que ela está bem!

- Isso é impossível, por enquanto - falou Nunes, já se afastando.

Continua no próximo capítulo...

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