quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Aruanã


Assim que desembarcaram do jatinho executivo da FAB no aeroporto de Ubatuba, Syaoran disse:

- Vou deixá-la num hotel.

- Mas não! - estrilou ela - Você disse que eu poderia acompanhá-lo até o fim!

Syaoran olhou para Sakura de uma maneira que não permitia qualquer contestação e Sakura compreendeu. A verdade era uma só: ele era o homem e ela, a sua mulher!
Beijando-a com todo o carinho Syaoran disse:

- Não sei o que eu vou encontrar pela frente, querida. E não quero que você corra riscos. A operação até Aruanã e, depois, mergulharei para abordar o lá. Enquanto estiver fazendo isso, não posso me preocupar com você.

Seriam quase duas horas da madrugada quando o pequeno e já antigo Bell-OH13 pousou com estardalhaço a poucas braças do costado do Aruanã.
Imediatamente, as luzes se acenderam no convés do barco e um holofote foi ligado, jogando a sua luz azulada sobre o pequeno aparelho.
Com uma caixa de ferramentas na mão, o piloto fez sinal para o iate, dizendo que estava tudo bem e, de pé sobre os flutuadores, similou fazer um reparo.
Enquanto isso, Syaoran deixava-se cair ao mar do outro lado do helicóptero e, a três metros da superfície, nadou para o Aruanã e agarrou-se à corrente da âncora. Livrou-se do aqualung e subiu por ela, alcançando a amurada.
Toda a tripulação encontrava-se entretida, observando o piloto do helicóptero que, atrapalhado, tentava desesperadamente amarrar alguma coisa com um pedaço de arame.

- Ainda bem que o homem é um bicho curioso - murmurrou Syaoran, passando as pernas para o convés do iate - Agora, é tratar de encontrar Fernando Nunes e certamente, também o pai de Sakura.

Syaoran notou que havia dois vigias, ambos armados com metralhadoras e percebeu que não teria como entrar no corredor de acesso aos camarotes sem ser visto por um deles que, naquele instante, tinha deixado o convés de bombordo e começava a caminhar em direção ao de estibordo.
Syaoran teria de neutralizá-lo... De sua perna direita, o delegado apanhou uma faca de mergulho e escondendo-se atrás de um respiradouro de convés, esperou que o homem se aproximasse.
A menos de dois metros de distância, o vigia estacou, olhando para o chão. Vira as marcas de pés molhados. Já ia abrindo a boca para dar o alarma quando o braço de Syaoran se moveu com a rapidez de um bote de serpente e a faca, com a lâmina voltada para trás, cortou a garganta do bandido como se ela fosse de manteiga, fazendo o sangue jorrar, esvaindo-se juntamente com a vida que abandonava aquele corpo.
Rapidamente, Syaoran segurou o homem, impedindo-o de cair ao chão e encostou-o num canto mais escuro. Apanhou a metralhadora e os três carregadores que o vigia trazia, murmurando:

- Agora estou realmente pronto!

Mal dera os dez primeiros passos pelo corredor, e quatro homens surgiram, fortemente armados.

- Um intruso! - gritou um deles em castelhano - Peguem-no!

Mas Syaoran não queria que isso acontecesse. Destravou a arma e calcou o gatilho. A rajada de balas praticamente cortou ao meio os quatros bandidos.
Estava iniciada a festa!
ouviu passos por todo o barco. Mais homens surgiram, mais uma vez ele disparou com precisão mortífera. Ouviu alguém gritar que o barco estava sendo atacado por todos os lados e escutou, com alívio, os altos-falantes de uma vedeta da Marinha, dizendo para que todos os que estivessem a bordo se entregassem sem resistência.
De um nicho perto da ponte de comando, Syaoran observou os homens de Nunes jogando as armas no chão e erguendo os braços enquanto os fuzileiros navais invadiam o barco.
Foi no momento em que Syaoran estava começando a descer para o convés inferior que ele escutou uma voz dizer, às suas costas:

- Pare onde está, maldito! Pare, ou farei a cabeça deste deputado virar uma pasta!

Continua no último capítulo...

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